É comum ouvir expressões como:
- “O bebé é preguiçoso a mamar”
- “Ele é manhoso”
- “Não quer mamar porque é esperto, o biberão é mais fácil”
- “Não gosta de mamar”
Mas a verdade é simples: não existem bebés preguiçosos para mamar.
💡 Mamar é sobrevivência — não é um capricho
Na natureza, os mamíferos que não mamam… não sobrevivem. Mamar é um comportamento instintivo e vital. Os bebés humanos, como todos os mamíferos, nascem preparados física e neurologicamente para mamar.
Se um bebé apresenta dificuldades reais na amamentação, não é preguiça. É um sinal de que algo não está bem e precisa ser investigado com seriedade.
🚨 “Preguiça” não é diagnóstico. É um risco.
Este artigo é sobre o direito de mães, pais e bebés a diagnósticos sérios e responsáveis.
Atribuir a dificuldade em mamar à “preguiça” ou “falta de vontade” é um erro comum e perigoso, que atrasa intervenções necessárias e pode levar a:
- Dor persistente para a mãe
- Frustração e esgotamento emocional
- Desmame precoce
- Problemas de crescimento ou ganho de peso
Quando a dificuldade existe, deve-se procurar ajuda profissional qualificada — como consultoras de lactação, profissionais de saúde com formação em amamentação, IBCLCs ou clínicas especializadas.
💬 A história da mãe Viviana M. evidencia bem como o pseudo diagnóstico de “bebé preguiçoso” não ajuda ninguém:
«O meu bebé, quando nasceu, parecia não ter reflexo de sucção; não estava interessado em mamar. Como mãe inexperiente, não estava a conseguir que ele mamasse naturalmente e não tive um acompanhamento dos profissionais de saúde que me tranquilizasse.
Durante mais de 36 horas, não pegou na mama; era enfermeira atrás de enfermeira a, literalmente, espremerem-me os mamilos para que saísse colostro e ver se, dessa forma, ele queria mamar. Mas nada funcionava. (…)
Por fim, houve uma enfermeira que me ajudou a tirar leite com a bomba e o meu filho comeu. Com muita paciência, a mesma enfermeira não desistiu até ele pegar na mama, embora com mamilos de silicone. Todo este processo foi extremamente doloroso para mim, tanto a nível físico, como psicológico.
O que me diziam era: “É mesmo assim! Amamentar dói!” E assim continuou, sempre com muita dor a cada mamada, ao ponto de chorar eu e o bebé.
No meio disto, fiz duas mastites, o que só veio agravar o meu estado de “terror” perante a amamentação.
Durante este processo senti-me desesperada, pois esperava que a amamentação fosse algo agradável, terno, que me aproximasse do bebé e o que eu sentia era dor, muita dor! Mas nunca desisti de tentar que melhorasse, pois é suposto a amamentação não doer. Como não? Eu não entendia… Mas queria acreditar que iria melhorar e só pensava nisso.
No entretanto, o meu bebé aumentava de peso e crescia a olhos vistos e isso dava-me a força necessária para não desistir! Foi o melhor que fiz, pois com a ajuda da consultora de amamentação Ana Antunes obtive respostas.
O freio da língua do bebé era curto, foi corrigido e pouco depois começou a melhorar, até praticamente não haver dor.
Agora, sim, adoro amamentar e é um momento só nosso, de ligação inexplicável. O facto de conseguir dar ao meu filho tudo o que ele precisa, é algo que não tem preço.»
Se o seu bebé apresenta dificuldades na amamentação, lembra-te: ele não é preguiçoso. Ele está a pedir ajuda. Confia no teu instinto e exige um olhar técnico, respeitador e especializado.
Autora: Ana Antunes, consultora de amamentação e doula | Última revisão: maio de 2025
