Estás grávida? Imagina-te a amamentar. O teu bebé já nasceu? Imagina-te a amamentar.
Provavelmente a primeira imagem que te surgirá na mente será a de estar sentada num cadeirão, com o bebé no colo, cabeça repousada no teu antebraço…
Esta é a imagem que a maioria das mulheres tem de um bebé a mamar, mas será a mais favorável, fisiológica e natural?
Muitas mães têm sido instruídas a amamentar de forma que pode dificultar o início da amamentação e o seu prolongamento pelo tempo desejado.
A verticalização das diversas posições, “sentada”, obriga mãe e bebé a lutar contra os efeitos da gravidade para manter o bebé bem encostado à mãe e ao nível da mama. Neste tipo de posição, podem surgir espaços entre ambos com facilidade, que desorientam o bebé e podem levar a reações de aparente recusa da mama, choro, stress, ciclos de pega-e-larga que provocam lesão nos mamilos e dor.
Em vez de mães e bebés trabalharem juntos como parceiros na amamentação, as mães têm de fazer todo o trabalho sozinhas. Em vez de poderem relaxar enquanto o bebé ajuda, muitas mães sentam-se curvadas, tensas, debatendo-se. Amamentar desta forma significa, para muitas, ficar com dores nas costas, braços, pescoço, ombros… e na mama!
Para os bebés também não é fácil mamar assim porque todos os reflexos e instintos com que nascem – que servem para facilitar a amamentação – ficam limitados pelo posicionamento desfavorável. Os movimentos de pernas e braços, necessários para chegar à mama sozinho quando colocado sobre a mãe recostada, passam a ser um bloqueio, afastam-no da mama, obrigam a mãe a tirá-los do caminho. Muitas mães dirão algo como “parece que não tenho mãos suficientes para amamentar”!

Posições naturais e fisiológicas – com a mãe recostada e o bebé sobre ela – colocam todo o peso do bebé sobre o corpo da mãe, deixando-lhe os braços e mãos livres, proporcionando-lhe descanso e conforto enquanto amamenta. Para os bebés, significa conseguir pegar na mama de forma eficaz, usando os instintos e reflexos com que nasceu para fazer “aquilo”.
É importante tornar conhecida esta forma de amamentação natural – que se perdeu quando deixámos de ver mulheres a amamentar com frequência, quando a amamentação deixou de ser a norma, quando o aleitamento artificial passou a ser a via comum de alimentação de um bebé.
Este é o nosso contributo.
Este artigo foi escrito tendo por inspiração a seguinte fonte bibliográfica:
Mothering. (2015, July 9). Many moms may have been taught to breastfeed incorrectly: Surprising new research. Disponível em: https://www.mothering.com/threads/many-moms-may-have-been-taught-to-breastfeed-incorrectly-surprising-new-research.1510905/
Se és profissional da área materno infantil, podes começar por aprofundar este tema consultando o seguinte estudo:
Milinco M, Travan L, Cattaneo A, Knowles A, Sola MV, Causin E, Cortivo C, Degrassi M, Di Tommaso F, Verardi G, Dipietro L, Piazza M, Scolz S, Rossetto M, Ronfani L; Trieste BN (Biological Nurturing) Investigators. Effectiveness of biological nurturing on early breastfeeding problems: a randomized controlled trial. Int Breastfeed J. 2020 Apr 5;15(1):21. doi: 10.1186/s13006-020-00261-4. PMID: 32248838; PMCID: PMC7132959.
Autora: Ana Antunes, consultora de amamentação e doula | Última revisão: maio de 2025
