NÃO EXISTE produção de leite para o início e leite para o fim da mamada. Depois das fases do colostro e transição, o que ocorre por volta das 4 a 6 semanas pós-parto, todas as mulheres produzem leite maduro.
Não existe produção de leite maduro com mais gordura e leite maduro com menos gordura!
Esta informação, passada de forma incorreta, é um dos maiores motivos de ansiedade entre as mães a amamentar.
- “Será que o meu bebé tomou leite com gordura suficiente?”
- “Será que não está a aumentar de peso porque não chega ao leite mais gordo?”
- “Como é que eu sei que o bebé já mamou o leite que tem gordura?”
Como funciona, afinal?
Devido aos mecanismos de ejeção do leite materno, a quantidade de gordura disponível no leite muda, de forma gradual, ao longo da mamada. À medida que o leite é produzido na mama, as células de gordura tendem a unir-se umas às outras e às paredes dos alvéolos (onde o leite é produzido). Quanto mais tempo passar entre mamadas (ou extrações), menor a concentração de gordura disponível no início.
Não existe, por isso, um momento em que o leite deixa de ser “pobre em gordura” e passa a ser “rico em gordura” ou “mais calórico”. Esta mudança acontece de forma MUITO GRADUAL e depende da quantidade de leite acumulada na mama.
Quanto mais cheia está a mama, com mais leite acumulado, menor a concentração de gordura no primeiro reflexo de ejeção do leite. Quanto mais mole está a mama (por menos leite acumulado), maior a concentração de gordura quando ocorre o primeiro reflexo de ejeção. Assim, a quantidade de gordura que flui no primeiro reflexo depende do espaçamento entre mamadas.
Os bebés não precisam de mamar “todo o leite” com maior concentração de gordura para ter um crescimento adequado. A quantidade total de leite que o bebé consome diariamente – e não o leite inicial – determina o ganho de peso do bebé. Quer os bebés mamem pouco tempo e frequentemente ou fiquem muito tempo sem mamar e mamem por longos períodos, o total de gordura consumido no dia inteiro não varia muito.
Estudos indicam que não existe motivo para nos preocuparmos com o leite inicial e o leite final ou para forçar/incentivar um bebé a mamar durante mais tempo. Desde que o bebé mame de forma eficaz e a mãe não esteja a encurtar as mamadas, o bebé receberá a mesma quantidade de gordura ao longo do dia, independentemente do padrão de mamadas. (Kent, 2007)
Se és profissional da área materno infantil, podes começar por aprofundar este tema consultando o seguinte artigo do blog KELLYMOM:
Kelly Bonyata, BS, IBCLC, “Foremilk and Hindmilk – What Does It Mean?” KellyMom. Disponível em: https://kellymom.com/bf/got-milk/basics/foremilk-hindmilk/
Autora: Ana Antunes, consultora de amamentação e doula | Última revisão: maio de 2025
