Um bebé pode chorar ou ficar muito agitado quando mama por diversos motivos. Um desses motivos pode ter a ver com um forte reflexo de ejeção do leite, geralmente associado a hiperlactação.
Esta dificuldade costuma ser mais frequente nas primeiras semanas de vida (entre a 2ª e 10ª semanas de vida).
Se tens um bebé que, de forma consistente, chora e/ou fica muito agitado quando vai à mama ou durante a mamada, é importante que marques uma consulta de amamentação com uma consultora para avaliar as causas dessa dificuldade e quais as estratégias mais pertinentes.
Alguns sinais de que existe uma forte ejeção do leite (podem não estar todos presentes):
- o bebé engasga-se/tosse pouco depois de iniciar a mamada;
- percebe-se que deglute muito rapidamente (algumas mães descrevem como “sôfrego a mamar”);
- parece que se “afoga em leite”;
- começa a ficar agitado pouco depois de iniciar a mamada;
- larga a mama, com frequência, a chorar;
- emite um som tipo “clique” enquanto suga;
- regurgita frequentemente e/ou tem gases;
- às vezes recusa mamar;
- pode não gostar de mamar por conforto (só aceita mamar se tiver fome);
- por vezes, quando o bebé larga a mama de repente, a mama esguicha leite;
- é habitual a mãe ter facilidade de extrair leite e/ou sentir o reflexo da ejeção do leite durante a mamada e entre mamadas (este reflexo costuma ser sentido como uma “tensão” ou “pressão” dentro da mama, acompanhada de leite que pinga ou esguicha da mama).
Este problema pode associar-se a um excesso de produção (também chamado de hiperlactação), mas nem sempre coincide.
O que se pode fazer se o problema das mamadas agitadas tiver origem num reflexo de ejeção que desorganiza o bebé?
Ajudar o bebé a conseguir mamar apesar do fluxo rápido e tentar ajustar a produção de leite às necessidades dele (se houver hiperlactação).
Para ajudar o bebé a mamar apesar do fluxo demasiado rápido, é útil…
- Adotar posições em que a gravidade favoreça o bebé. Exemplos: 1) posição bola de rugby com o bebé sentado em vez de deitado; 2) bebé deitado de lado para deixar escapar o leite extra; 3) mãe recostada e bebé sobre ela.
- Também pode ser essencial colocar o bebé a arrotar com frequência, se estiver a ingerir muito ar.
- Amamentar frequentemente: reduz a quantidade de leite acumulada entre mamadas e o bebé encontra-se mais calmo por não ter tanta fome.
- Amamentar quando o bebé está ensonado e relaxado.
- Quando o leite começar a fluir, retirar o bebé da mama e esperar que o leite saia para uma toalha e voltar a colocá-lo quando parar.
- Retirar algum leite antes da mamada – apenas se a mama estiver muito dura e o bebé tiver dificuldade de pegar. Só deve ser feito em último caso e nunca como medida a adotar sempre, pois estimula o aumento da produção. Se for necessário, retirar cada vez menos leite até deixar de o fazer.
Ajustar a produção de leite às necessidades do bebé – só em casos de hiperlactação:
- Se o bebé apresenta uma evolução ponderal (peso) adequada, amamentar de uma só mama em cada mamada pode ser útil.
- Se o bebé termina a primeira mama e quer continuar, colocar novamente na mesma.
- Apenas em SOS: se a outra mama ficar desconfortável, pode-se extrair um pouco de leite até ficar confortável, com o cuidado de retirar menos de cada vez até que não seja preciso retirar. Também se podem aplicar compressas frias depois da mamada.
- Experimentar o método de “mamadas em bloco”, que consiste em amamentar de uma só mama por um certo período de tempo (exemplo: durante 3 horas) e só ao fim desse tempo passar para a outra mama, em vez de uma mama por mamada. Não se restringe, de forma nenhuma, as mamadas do bebé – sempre que este queira mamar, oferece-se a mesma mama durante o período de tempo pré-estabelecido.
Este problema tende a melhorar, naturalmente, depois das 8-10 semanas pós-parto, à medida que a produção de leite estabiliza e o reflexo de ejeção se torna menos forte. Se tal não acontecer, é provável que estejamos perante um caso de HIPERLACTAÇÃO, que deverá ser devidamente acompanhado. Procura ajuda.
Nota muito importante:
Se percebes que há um padrão de recusa e/ou choro durante a mamada, mas os sintomas do teu bebé não se refletem no que acabaste de ler, ou a aplicação destas sugestões não melhora a situação em uma semana, procura apoio de um profissional com formação em amamentação.
Se és profissional da área materno infantil, este protocolo poderá ser útil ao trabalhar com mães e bebés que apresentem estes problemas:
Johnson HM, Eglash A, Mitchell KB, Leeper K, Smillie CM, Moore-Ostby L, Manson N, Simon L; Academy of Breastfeeding Medicine. ABM Clinical Protocol #32: Management of Hyperlactation.
Autora: Ana Antunes, consultora de amamentação e doula | Última revisão: maio de 2025
